
Desde o “crash” da bolsa de Nova Iorque, em 1929, a chamada grande recessão, e da queda do muro de Berlim, com todos os seus reflexos, provavelmente nenhum fenômeno histórico/econômico teve e continua tendo repercussões tão vastas e profundas, em termos ditos “globais” (para usar uma palavra da moda), como a crise econômica que eclodiu nos Estados Unidos ao final (e em consequência) da era Bush. Acontecimento de tal envergadura e amplitude jamais poderia deixar de ser lançado à análise pela ANFIP e pela Fundação ANFIP de Estudos da Seguridade Social, cujas marcas predominante têm sido de pronunciarem-se sobre tudo o que afeta diretamente a vida das pessoas. No caso, a vida das pessoas tanto do Brasil como do mundo inteiro, e da sociedade como um todo.
É bastante ser apenas medianamente informado para avaliar a dimensão desse fenômeno. Mesmo o brasileiro iletrado sentiu-se afetado pelo bombardeio do noticiário dos meios de comunicação dando conta das ramificações da crise. Do mais alto executivo ao mais humilde trabalhador braçal, todos sentiram ao menos uma pontinha de temor diante dessa enxurrada de más notícias, que, ao contrário da bem recebida viagem do homem à Lua, não dava margem a incredulidades de quem quer que fosse. A crise não era apenas vista; era sentida. Aliás, corrigindo a tempo, não dá para usar ainda o verbo no passado, pois os efeitos da crise ainda estão em plena efervescência.
Como também é próprio de sua forma de atuar, a ANFIP e a Fundação ANFIP foram buscar a luz nas cabeças iluminadas dos maiores estudiosos de fenômenos dessa natureza. Especialistas da mais alta respeitabilidade estão se pronunciando, nesta publicação, acerca desta que é uma palavra quase (ou totalmente) inevitável no capitalismo – a crise –, ainda que estejamos exaustos de tanto ouvi-la. Também por isso (ou sobretudo) o aprofundamento da análise foi buscado com empenho, para que o fato histórico não se reduzisse às mesmices que eclodem com profusão cada vez que a realidade implacável se nos apresenta de cara feia, fazendo com que todos sejam tomados pela premente vontade de se pronunciar (ainda que em proveito próprio, apenas para manifestar queixas). Esse é um mal do qual o presente trabalho não padece. Distantes das superficialidades, os estudiosos que aqui se pronunciam não se limitam ao aprofundamento da análise, uma vez que colocam seu conhecimento a serviço do exame acurado e em minúcias de todas as ramificações e possíveis consequências da crise.
A ANFIP e a Fundação ANFIP sentem-se orgulhosas de apresentar ao sofisticado e sensível público consumidor de seus estudos mais um trabalho de vulto, alicerçado no que há de mais seleto e respeitado no campo do saber humano. Esperamos apenas que a publicação sirva, sobretudo, para que nos municiemos das armas necessárias para nos livrarmos das consequências mais nefastas do fenômeno objeto da própria análise: a crise econômica. Afinal de contas, para cada mal de que padece, o homem deve servir-se da informação para ao menos minimizar-lhe os efeitos. Que assim seja.
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