Receita Federal perdeu em uma década 34% dos auditores fiscais

O número de analistas caiu para 10,4 mil em dez anos, o que deve travar a máquina de arrecadação nos próximos

A Receita Federal do Brasil poderá ter os mesmos problemas do Instituto Nacional do Seguro Social, que enfrenta uma séria crise institucional pela falta de servidores públicos.  É o que adverte a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, que divulgou hoje (16) o número do quadro de funcionários que trabalham com a administração tributária e aduaneira. O presidente da Anfip, Décio Bruno Lopes, prevê um caos nas atividades de fiscalização tributária num futuro muito próximo.

De acordo com os dados, em uma década o número de auditores fiscais caiu de 12,7 mil para 8,4 mil, o que representa uma redução de 34%. O último concurso público para a função foi realizado em 2014, quando foram contratados 278 novos profissionais. Num levantamento feito pela Coordenação de Gestão de Pessoas, verificou-se que há 21.471 cargos vagos na Receita Federal. São 11.325 de auditores fiscais e 10.416 analistas fiscais.

O problema torna-se bem mais grave quando é analisado o tamanho da economia brasileira. O quadro de fiscalização encolheu, mas houve um aumento de 17,4% (1.545.242) no número de empresas abertas no primeiro semestre do ano passado comparado ao mesmo período de 2018, quando foram registrados 1.315.151 de novas empresas no país. “Urge que sejam tomadas providências para que o caos não se instale nas atividades de fiscalização tributária, combate à sonegação, entre outras atividades fundamentais para obter recursos financeiros que garantam a continuidade dos programas sociais brasileiros¨, afirma o presidente da Anfip.

Fonte: Misto Brasília