Fronteira de Foz do Iguaçu tem 3,8 mil caminhões parados em fila

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A maior parte das cargas é de alimentos industrializados e cereais; produtores temem falta de insumo para ração de animais

A operação-padrão dos auditores da Receita Federal também causa problemas aos caminhoneiros. Na sexta (11), em Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, havia 3.820 caminhões parados por demora na liberação de cargas, disse o presidente do Sindifoz (sindicato patronal do transporte rodoviário internacional de carga), Rodrigo Ghellere. As filas de veículos parados vêm se formando nos últimos 30 dias.

Nas contas do sindicalista, a paralisação representa um custo diário de R$ 3,8 milhões para transportadoras e motoristas autônomos. Nessa cifra estão incluídas despesas com estadia e custos fixos. “Isso não envolve os prejuízos por conta das cargas paradas”, disse Ghellere.

A maior parte dos caminhões está com alimentos industrializados e cereais. Ele contou que cooperativas do Paraná que traziam cereais do Paraguai para fazer ração e alimentar suínos e aves estão buscando grãos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “As cooperativas ligaram o alerta porque pode faltar produto para fazer a ração.”

Produtores de frangos e suínos registram prejuízos por causa da lentidão no fluxo das mercadorias que passam pela inspeção. Segundo informações de mercado, há empresa que deixou de exportar mais de 10% dos produtos por causa do atraso nos embarques. “Nosso setor é uma cadeia viva, de fluxo contínuo, não pode parar.”

O atraso na liberação das mercadorias resulta em perdas de janelas de embarques de navios e custos logísticos adicionais, além de gastos com estocagem direta e terceirizada. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne os elos da cadeia de frangos e suínos, disse que apoia os pleitos dos auditores fiscais agropecuários, porém pondera ser importante “manter o fluxo de produção em detrimento ao estabelecimento de uma operação-padrão que tem penalizado o fluxo de abate, do abastecimento interno e das exportações”. A entidade entrou com mandado de segurança pela normalização do fluxo de mercadorias.

Governo
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), levou o caso à reunião ontem, em Brasília, com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ouviu dele que o governo estuda uma forma de resolver a situação e que buscará uma solução para que as fábricas não sejam impactadas. No setor, 43% das empresas reclamaram de atrasos na entrega de itens importados e 31% disseram que suspenderam linhas de produção porque a carga não chegou a tempo.

Efeitos
Mais da metade (55%) das empresas eletroeletrônicas relatam problemas

Várias delas também relatam dificuldades de exportar, em razão da morosidade em operações de embarque, no desembaraço das mercadorias e em inspeções das cargas. Algumas pagaram multas por não cumprir prazos de entrega
Entre as alfândegas com dificuldade no desembaraço, são citados os portos de Santos, Navegantes, Paranaguá, Itajaí e os aeroportos de Guarulhos, Viracopos, Salgado Filho e Manaus.

“O setor produtivo deveria buscar a solução para esses gargalos com quem o causou, no caso, o governo federal”, disse o diretor de comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), Helder Costa da Rocha. “Esses episódios nas aduanas se tornarão cada vez mais agudos, à medida que os recursos orçamentários do órgão chegarem ao fim, a partir de maio.”

Procurada, a Receita Federal não se manifestou.

Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto-Kiko Sierich-Estadão