A moçada deixa o hotel
Rumo ao passeio agendado
Preocupada se o tempo
Estaria ameno ou enfezado
Foi um passeio de barco
De há muito aguardado
E o traslado de ônibus
Seguiu muito animado
Entraram os potiguares
Seguidos dos baianos
Capixabas e maranhenses
E assim os pernambucanos
Somaram os paraibanos e
Tocantinenses na jogada
Em seguida os leité quenté
E catarinenses de pegada
Do Amazonas veio a nata
Os mineiros vieram depois
Os goianos enfim chegaram
Andando de dois em dois
Os paulistas e sergipanos
Alagoanos e paraenses
Cearenses e candangos
Também os mato grossenses
O barco nos esperava
No marítimo terminal
A entrada a bombordo
E a recepção especial
Mas na entrada dos gaúchos
O capitão do barco se benzeu
Pra afastar as tempestades
E ventanias de valha-me d’eus
A moçada no convés
Foi se acomodando
E a turma do mezanino
O compasso marcando
No primeiro andar a galera
Buscava o melhor lugar
Para ver as paisagens
E também fotografar
O barco deu partida
Do cais onde atracara
Logo após se adentrou
Na Baia de Guanabara
A chuva média e o vento
Sobre o barco se abateu
Mas estávamos seguros
Pois o barco nem rangeu
O timoneiro competente
Seguia em sua “estrada”
Que a gente não divisava
Pela visão não treinada
Serviram dez melancias
De abacaxi uma carrada
O servente disse nunca vi
Uma gente tão brocada
Uma presença imprescindível
Veio do Rio Grande do Norte
O talentoso Carlos Zens
Músico de grande porte
Ele tentou tocar a flauta
Mas o clima atrapalhava
Pois as belas melodias
O vento pra longe soprava
Então no violão elétrico
Dedilhou o mestre Zens
E vibraram os acordes
E se ouviram os améns
Vimos pingos de amor
Nos ritmos da chuva
Como num dia de domingo
A chalana foi uma luva
O trem das onze perdemos
Sim por conta da emoção
Pois tábua de tiro ao Álvaro
Ficou o nosso coração
O mandacaru fulorou na seca
E borbulhas de amor fomos fazer
Pois a vida devia ser bem melhor
Por eu gostar tanto de você
Avistamos a Escola Naval
E o Aterro do Flamengo
O Aeroporto Santos Dumont
O mezanino cheio de dengo
O badalado Pão de Açúcar
E o castelo gótico-provençal
Onde foi selado o fim do império
O último baile da Ilha Fiscal
A Ponte Rio-Niterói
Avistada na contraluz
O Museu do Amanhã
A Fortaleza de Santa Cruz
Museu de Arte Contemporânea
Que em Niterói está situado
Projeto Mágico de Niemeyer
A um cálice conformado
Deixamos o barco nos levar
De volta para o cais
Em cada rosto um sinal
Um desejo de quero mais
Em muitos olhos vi o brilho
De uma lágrima recente
Disfarçada de água da chuva
Que no final se fez ausente
Parabéns aos organizadores
Desse passeio inesquecível
Que na Baia de Guanabara
Nos uniu de modo incrível
Rio de janeiro, 22/09/26
Sérgio guará








