Em novo relatório, Oxfam sugere tributação de super-ricos para superar as desigualdades sociais

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A Oxfam Internacional, aproveitando a realização do Fórum Econômico Mundial a partir desta segunda-feira (16/1), alerta em seu mais novo relatório que o 1% mais rico do mundo ficou com quase 2/3 de toda riqueza gerada desde 2020, cerca de US$ 42 trilhões, seis vezes mais dinheiro que 90% da população global conseguiu no mesmo período. O estudo “A sobrevivência do mais rico: por que é preciso tributar os super-ricos agora para combater as desigualdades” aponta ainda que, pela primeira vez em 30 anos, a riqueza extrema e a pobreza extrema cresceram simultaneamente. Acesse aqui o documento.

O alerta continua: “apenas 4 centavos de cada dólar de receita tributária vêm de impostos sobre o patrimônio, e metade dos bilionários do mundo vive em países sem imposto sobre herança, aplicado ao dinheiro que dão aos filhos.” Segundo a Oxfam, a implementação de um imposto de 5% sobre os super-ricos do mundo poderia arrecadar US$ 1,7 trilhão por ano, o suficiente para tirar 2 bilhões de pessoas da pobreza e financiar um plano global para acabar com a fome.

Os dados divulgados pela Oxfam vêm ao encontro dos estudos divulgados pela ANFIP e pela Fenafisco na “Reforma Tributária Solidária”, que serviram ainda de base para as propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República nas últimas eleições no projeto Diálogo com os Presidenciáveis 2022. Assim como a ANFIP, a Oxfam acredita que a tributação dos ricos é vital para enfrentar essa multicrise sem precedentes e a desigualdade que aumenta a uma velocidade vertiginosa.

Dentre as medidas sugeridas pela Reforma Tributária Solidária está a elevação da tributação das altas rendas e da riqueza; redução da tributação sobre bens e serviços e sobre a folha de salários; tributação com relevância para o meio ambiente e externalidades na saúde pública; a necessidade de ­ financiar a proteção social e de alcançar o equilíbrio federativo; e propor medidas para garantir a e­ficácia da legislação. Para a ANFIP, é possível aumentar a progressividade do sistema tributário e reduzir a desigualdade de renda a partir da implantação de novo modelo econômico que estimule o crescimento e fortaleça o papel do Estado.