Concorrida Solenidade
A solenidade de abertura
Foi bonita e requintada
Que o digam os presentes
Sobretudo a rapaziada
O anúncio da gafieira
Nos salões repercutiu
Os homens chegaram cedo
Coisa assim nunca se viu
Eram todos procurando
Um lugar no gargarejo
Tinha gente vendendo vaga
No atacado e no varejo
Desabafou um acompanhante
Afirmando não ter cabimento
Pagar mais caro na cadeira
Que no jantar de encerramento
A dança iniciou eletrizante
Com seu molejo cadente
Sensualidade à flor da pele
Para delírio de muita gente
Corpos belos esculturais
Em estonteantes gingados
Desafiavam a gravidade
Em requebros e bailados
A bailarina pediu com ternura
Num gesto de mãos insistente
Para o público se levantar
Depois se abaixar levemente
Carlos Castro ladeado
Por Taffarel e Floriano
Sussurrou aos colegas
Não está no meu plano
Chegou a ensaiar o gesto
Mas disse brincadeiras à parte
Não meto a mão nessa cumbuca
Não me arrisco nessa arte
Do outro lado um colega
Firmou dos pés a planta
Mas um amigo alertou, Crésio!
Se você abaixar não levanta
Na entrada das bandeiras
Houve um desentendimento
Prometeram ao José Carlos
Capitanear o movimento
Ele ensaiou um abre-alas
Com passista da mangueira
Agitando pelo salão
Do Tocantins a bandeira
Porém levada a votação
A mudança no cortejo
Com a ordem alterada
Eis que surge um gracejo
Pois o Severino da Paraíba
Falou esse povo tá cego
E agitando sua bandeira
Bradou enfático “nego!”
E José Carlos o sonho
Tratou de pôr na mochila
Dirigindo-se conformado
Lá pro final da fila
Brincadeiras à parte
Grandiosa solenidade
Que festa! Que emoção!
Ah! ANFIP, como tu sabes
Promover nossa união!
Rio de Janeiro, 21/09/26
Sérgio Guará
