A economia para além das bravatas

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O ministro Paulo Guedes, depois de uma semana difícil na qual foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro, lançou ontem, mais uma vez, a possibilidade de implantar um imposto nos moldes da CPMF.

A medida, segundo ele, não elevaria a carga de tributos, mas reduziria o peso dos impostos sobre salários, tributando transações digitais. O ministro tem tentado um verdadeiro malabarismo para ajustar as contas, ampliando gastos. A tarefa é difícil, existem colaborações de vários setores; alguns, porém, a equipe econômica nem cogita olhar. Por exemplo: entidades como os Auditores Fiscais pela Democracia (AFD), a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP), a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital Fenafisco e o Instituto Justiça Fiscal (IJF) elaboraram uma proposta que parece coerente. Um documento síntese foi publicado, com o título “Tributar os super-ricos para reconstruir o País”, defendendo a progressividade do imposto e isentando os mais pobres, pequenas empresas.

A medida, segundo os auditores, fortaleceria estados e municípios, gerando acréscimo de R$ 292 bilhões na arrecadação, e incidindo em 0,3% sobre as altas rendas e os grandes patrimônios. Medidas como essa, entretanto, exigem coragem e uma boa articulação para serem tomadas, e não apenas bravatas e jogos para a plateia.

O Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) promoveu, durante toda a semana, palestras para discutir a possibilidade de uma nova economia – tema difícil, principalmente diante dos desafios criados pela pandemia e por um governo que atira contra o próprio pé. Ontem, em entrevista ao O POVO Economia, a vice-presidente do Corecon-CE, Silvana Parente, falou sobre o assunto e ressaltou a necessidade de um novo pacto nacional em prol da recuperação do País.

Os egos inflados do governo têm feito a equipe desconsiderar a realidade da população e olhar mais para os indicadores políticos. O plano neoliberal do ministro Paulo Guedes há muito foi esquecido, e a grande luta é por recursos para manter os gastos do governo e pela formatação de um plano que garanta resultados eleitorais.

Silvana Parente considera falta de inteligência acabar com planos sociais como a Farmácia Popular e não olhar para os resultados de um programa de renda mínima. A economista é enfática: “Pelo menos parte dos recursos voltam para o governo na forma de consumo e impostos”, ressalta.

Fonte: O Povo On-Line – CE.