Comecei a trabalhar muito cedo e, após 37 anos, resolvi me aposentar do trabalho formal, mas nunca me acostumei com a ideia de uma vida sem uma ocupação, ainda que informal. A aposentadoria representa o encerramento de uma importante etapa profissional, mas não precisa significar o afastamento da vida associativa, da participação social e da defesa dos direitos daqueles que dedicaram tantos anos ao serviço público.
Neste sentido, a aposentadoria me abriu a possibilidade de continuar contribuindo de outra forma, por meio do trabalho voluntário, quer em uma instituição social ou por meio da participação nas entidades de classe, com dedicação a atividades de apoio e defesa dos interesses da categoria. Essa opção foi uma maneira de colocar a experiência adquirida ao longo de minha trajetória profissional a serviço dos colegas e do fortalecimento das associações.
Em 2010, iniciei a atividade classista na Apafisp, em São Paulo, onde trabalhei até 2019, quando fui eleita para um mandato no Conselho Executivo da ANFIP Nacional, onde permaneci até o final de 2025.
Essa atuação voluntária e gratificante exigiu compromisso, responsabilidade e, sobretudo, disposição para continuar lutando pela valorização dos Auditores Fiscais, pela preservação de seus direitos e pelo reconhecimento da importância de suas atribuições para o Estado e para a sociedade.
A atuação das entidades de classe é fundamental. Elas constituem importantes instrumentos de representação, união e defesa coletiva, promovendo o diálogo com as instituições e os poderes constituídos, acompanhando de perto as questões que impactam a carreira dos Auditores Fiscais, tanto ativos quanto aposentados.
Entre essas entidades, merecem especial destaque a Apafisp – Associação Paulista dos Auditores Fiscais do Estado de São Paulo, com seus 59 anos- e a ANFIP Nacional – Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, que, ao longo de seus 76 anos de história, tem desempenhado papel relevante na valorização do cargo de Auditor Fiscal e da própria Receita Federal do Brasil.
A ANFIP representa uma história de participação, resistência e defesa dos interesses da categoria. Sua atuação demonstra que a união dos Auditores Fiscais é essencial para enfrentar desafios, preservar conquistas e construir um futuro em que a carreira seja cada vez mais respeitada e valorizada.
Por isso, o trabalho voluntário na aposentadoria não deve ser visto apenas como uma ocupação, mas como uma forma de cidadania, gratidão e compromisso com uma causa coletiva. É a oportunidade de continuar contribuindo com conhecimento, experiência e dedicação, mantendo vivos os ideais que acompanharam toda uma trajetória profissional.
Defender os direitos dos Auditores Fiscais é, também, defender a valorização do serviço público, a qualidade das instituições e o interesse maior da sociedade. E essa missão, que não termina com a aposentadoria, pode encontrar na participação voluntária nas entidades de classe um caminho para continuar sendo exercida com dignidade, entusiasmo e esperança.
