Dieese analisa as relações de trabalho em tempos de pandemia

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Em conferência online realizada nesta quarta-feira (13/5), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) debateu “Mercado de trabalho, desigualdade e o desenvolvimento brasileiro”. O objetivo foi levantar ideias que permitam abrir caminhos para uma sociedade menos desigual e mais justa. A ANFIP acompanhou a transmissão.

A professora Magda Barros Biavaschi, uma das debatedoras, falou sobre o atual cenário da saúde brasileira e o impacto do coronavírus na estrutura institucional. “A coronacrise fragilizou nossos arranjos institucionais”, disse. No pós-pandemia, segundo ela, a sociedade terá condições mais desfavoráveis do que agora. Magda Barros apresentou alguns dados da PNAD-Contínua, de janeiro a março, que mostram que a população ocupada diminuiu. “Estamos com 92 milhões brasileiros ocupados. A população fora da força de trabalho é de 67 milhões. A taxa de desemprego é 12,2%, mais de 12 milhões de pessoas. É assim que a pandemia encontra o nosso mercado de trabalho. É dramático”, declarou.

Também participando como debatedor, o professor Luiz Gonzaga Belluzo avaliou a atual crise econômica e, principalmente, a política. Para o professor, o que governa atualmente é o objetivo de fazer com que o setor privado tenha melhores condições de tocar a economia. Nesse sentido, ele avaliou as mudanças no mercado de trabalho, principalmente com o surgimento das plataformas on-line, em que a relação de trabalho é precária. “Esse é um fenômeno universal”, disse. Somado a isso, acrescentou, veio a pandemia e se “torna importante avaliar o que acontecerá depois”.

O assessor de Estudos Socioeconômicos da ANFIP, Vilson Antonio Romero, acompanhou o debate e questionou os participantes sobre as formas de contrapor o Estado mínimo e o Estado de bem-estar social necessário para o período pós crise do coronavírus, além de trazer reflexões sobre como será o Estado após a pandemia. Para o assessor, este debate é fundamental para toda a sociedade, principalmente diante das desigualdades sociais que se agravaram, ainda mais, pelo momento atual.

Belluzo, ao responder os questionamentos, afirmou que a pandemia revelou a fragilidade da economia neoliberal. “Vamos ter um momento difícil de reconstrução. A crise é profunda e grave”, disse. Para o professor, há um risco grande de se ter uma saída ruim se não houver uma política de Estado e uma ação incisiva de proteger o rendimento da população. Entretanto, para ele, é possível adotar mecanismos para evitar isso.

Assista ao debate na íntegra, mediado por Eliana Elias, pelo link: https://youtu.be/oB8G4eBqWAo