Especialistas debatem Imposto sobre Grandes Fortunas no Brasil

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Foi realizada mais uma live, nesta quarta-feira (17/6), da série organizada pela campanha ‘Você Acha Justo?’, com o tema “Por que taxar grandes fortunas e patrimônio?”. Desta vez, foram convidados o professor titular de Economia da PUC de São Paulo, Ladislau Dowbor; a historiadora Wania Sant’Anna, vice-presidente do conselho curador do Ibase e ex-secretária de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro; e o Auditor Fiscal da Receita Federal Dão Real Pereira dos Santos, diretor do Instituto Justiça Fiscal e associado ANFIP.

Ladislau Dowbor analisou que o eixo central da transformação que o Brasil precisa usar o sistema tributário de forma que favoreça quem contribui para a economia. “Quando a gente pensa num sistema tributário, não é só reduzir a desigualdade, é tornar o capital produtivo”, completou.

Já a historiadora Wania Sant’Anna citou o racismo estrutural e ideológico, afirmando que “é impossível falar dessa enorme concentração de renda sem falar sobre a concentração de poder” e que o problema do país é político.

Dão Real Pereira dos Santos defendeu o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), que tem a função de desestimular a grande concentração de patrimônio e riquezas. Segundo ele, o Brasil é o sétimo país com maior número de bilionários e cada um dos 5 brasileiros mais ricos tem R$ 85 bilhões de patrimônio médio, acumulando mais riqueza do que a metade da população brasileira. Ressaltou, ainda, que apenas com estas 5 pessoas, o país teria capacidade de resolver o tratamento de 140 mil infectados em sua parte mais cara, que é a UTI.

Para o Auditor Fiscal, “nós deveríamos ter uma distribuição maior de renda e nenhum bilionário no país. O IGF corrige uma acumulação histórica, tentando desconcentrar o patrimônio para que esse dinheiro possa ser, rapidamente, aplicado na base da sociedade. Além disso, é necessário transformar o Imposto de Renda, desonerar os mais pobres e reduzir a tributação das pequenas e médias empresas”.

Veja o vídeo completo do debate no link: bit.ly/voceachajusto.

Inspirados na Reforma Tributária Solidária, e utilizando diversas propostas elaboradas pela ANFIP e Fenafisco, as bancadas do PT, PSOL, PCdoB, PDT e Rede Sustentabilidade elaboraram uma emenda substitutiva à PEC 45/2019, que trata da reforma tributária. Intitulado Reforma Tributária, justa, solidária e sustentável, o documento pode dar à proposta de Emenda à Constituição a justiça que toda a sociedade merece.

Acesse as publicações:

– A Reforma Tributária Necessária: Diagnóstico e Premissas

– A Reforma Tributária Necessária – Justiça fiscal é possível: subsídios para o debate democrático sobre o novo desenho da tributação brasileira (SÍNTESE)

– A Reforma Tributária Necessária – Justiça fiscal é possível: subsídios para o debate democrático sobre o novo desenho da tributação brasileira